Campo Grande,
06/09/2010
 
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  Será que vamos dormir em Paz?
  por: Carlos Eduardo F. Dupas
 
Eu acredito que nós, produtores rurais, já estamos cansados de falar e de ouvir que os nossos maiores problemas estão da porteira para fora da fazenda. Um deles, e que nos traz muita insônia, é o da baixa capacidade do gerenciamento financeiro dos frigoríficos e sua alta exposição ao risco de flutuação dos preços do boi gordo. Costumamos dizer que quando recebemos uma promissória de frigorífico ela não tem prazo em dias, mas sim em noites (não dormidas). Entretanto, parece que pelo menos neste ponto de vista estamos assistindo a uma evolução importante. Por conta do aumento expressivo das exportações brasileiras de carne bovina nos últimos 6 a 7 anos (350% de aumento), os frigoríficos puderam melhorar sua gestão financeira e de risco, inclusive vários deles se habilitando a abrir seu capital e lançar ações na BOVESPA, com sucesso.

Mais o que isto tem a haver conosco, produtores rurais?
Tem muito a haver. Quando as empresas decidem a lançar ações no mercado, elas têm um longo caminho de lição de casa a fazer. Um dos primeiros é profissionalizar e abrir e sua gestão corporativa ao mercado, vulgarmente chamado de "apresentar seu balanço de forma transparente" e dar "nome aos bois", ou seja, informar quem detém o capital e como está seu balanço, auditado por empresas com credibilidade no sistema financeiro. Sem esta fase bem arrumada, ninguém vai ao mercado. Esta é uma reinvidicação muita antiga da classe produtora - "saber para quem estamos entregando nosso produto e dando crédito".

Para se ter uma idéia do que aconteceu neste primeiro semestre de 2007, 3 grupos de empresas frigoríficas brasileiras lançaram ações na BOVESPA no valor total de R$ 3,05 bilhões, sendo o valor total comercializado na data do lançamento.

Quanto à gestão de exposição ao risco de preço, vários deles já estão se utilizando, e oferecendo a seus clientes, a garantia de preços através de operações na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Estas operações são tanto no mercado de boi gordo, quanto no mercado de dólar futuro para aquela que operam com exportações. Estas garantias reduzem substancialmente o risco das oscilações de preços no comércio e exportações de carne bovina. '

Todos estes instrumentos juntos estão levando um pouco mais de tranqüilidade ao mercado do boi gordo.

CARLOS EDUARDO F. DUPAS Vice-presidente da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) e Diretor Conselheiro do Sindicato Rural de Campo Grande
 
 
 
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